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O Inferno: A Doutrina Que Jesus Mais Ensinou

há 2 horas
4 min de leitura

Quando a cultura contemporânea pensa em Jesus Cristo, a imagem predominante é quase exclusivamente a de um mestre com ensino focado no amor, na tolerância e no perdão. Embora o amor e a graça sejam o coração de Seu ministério, existe um fato bíblico incontornável que frequentemente choca o leitor moderno: ninguém em toda as Escrituras falou mais sobre o inferno do que o próprio Jesus. A palavra grega geena (inferno) aparece doze vezes no Novo Testamento, e onze delas saem dos lábios de Jesus. Longe de ser uma invenção medieval, o aviso sobre a condenação eterna foi um tema recorrente e solene do Filho de Deus.

 

O Que Jesus Ensinou Sobre o Inferno

 

Jesus abordou o inferno de forma direta, frequente e vívida. No Sermão do Monte, Ele adverte que o ódio e a luxúria são graves o bastante para lançar alguém no geena, termo derivado do Vale de Hinom, ao sul de Jerusalém, lugar associado a sacrifícios idólatras e, por isso, símbolo de juízo (Mateus 5.22, 29 e 30; 2 Reis 23.10). Ele ensinou Seus seguidores a não temerem os homens, que matam apenas o corpo, mas a temerem a Deus, "que pode destruir no inferno tanto a alma como o corpo" (Mateus 10.28).

 

Nas parábolas, o juízo final é uma constante. Na parábola do "Joio" e na da "Rede" (Mateus 13), os ímpios são lançados na "fornalha acesa", lugar de "choro e ranger de dentes". Na parábola do “Rico e Lázaro” (Lucas 16), Cristo levanta a cortina da eternidade e revela um tormento consciente, separado por um abismo intransponível. E na passagem do “Julgamento das Nações”, Ele profere a sentença mais sombria da Bíblia:

 

"Apartem-se de mim, malditos, para o fogo eterno,

preparado para o diabo e os seus anjos."

(Mateus 25.41)

 

Note a quem Jesus dirigiu os avisos mais duros: não aos pecadores públicos, mas aos religiosos. "Serpentes! Raça de víboras! Como vocês escaparão de ser condenados ao inferno?" (Mateus 23.33). E a muitos que dirão "Senhor, Senhor", responderá: "Nunca os conheci" (Mateus 7.21–23). O inferno não é assunto só para os de fora; é um alerta para a própria igreja.

 

A partir dos ensinos de Jesus e do restante da revelação bíblica, temos certeza sobre o inferno. Ele é eterno, o inferno é descrito com a mesma palavra grega (aionios) usada para a vida eterna dos justos. É a separação consciente da presença bondosa de Deus (2 Tessalonicenses 1.9). É um lugar de absoluta justiça, sem condenação arbitrária. E não foi criado originalmente para a humanidade, mas para o Diabo e seus anjos, embora se torne o destino dos que rejeitam a provisão de Deus. O Juiz, além disso, é o próprio Cristo: o Pai entregou todo o julgamento ao Filho (João 5.22).

 

O Que o Inferno Ensina Sobre Deus

 

Pode parecer paradoxal, mas a doutrina do inferno é uma das maiores revelações do caráter de Deus. Ela nos ensina, primeiro, sobre Sua justiça. Um Deus bom não pode ser indiferente ao mal, à opressão e ao pecado que devastam a Sua criação. O inferno garante que o mal não terá a última palavra.

 

A objeção mais comum é: como um Deus de amor permite o inferno? C. S. Lewis, que confessou não haver doutrina que removeria do cristianismo "com mais boa vontade", reconheceu que ela tem o pleno respaldo das Escrituras e das palavras do próprio Jesus. E ofereceu esta imagem: as portas do inferno "são trancadas por dentro". Deus respeita, até o fim, a escolha de quem recusa a Sua graça.

 

Mais profundamente, o inferno ilumina a misericórdia e a graça de Deus. Quem mais advertiu foi Jesus, e o fez chorando por Jerusalém: "mas vocês não quiseram!" (Lucas 13.34). O Senhor não tem prazer na morte do ímpio (Ezequiel 33.11).

 

Se o inferno não existe, a cruz perde o sentido. Do que fomos salvos? Por que o Filho de Deus agonizou no Getsêmani e gritou de abandono no Calvário? Porque Cristo suportou o inferno que merecíamos. Bebeu o cálice da ira para que pudéssemos beber o da salvação. A magnitude da nossa salvação só se compreende diante da magnitude daquilo pelo o qual fomos resgatados.

 

O Perigo de Não Crer no Inferno

 

É por isso que o perigo de não acreditar no inferno é tão sutil e devastador. Negar o inferno não apaga a sua existência; apaga o nosso senso de urgência. É dizer que Jesus se enganou, pois não se pode ficar com o Cristo que consola e descartar o que adverte. Banaliza o pecado, esvazia a santidade de Deus e reduz a cruz a um exemplo moral, em vez de um resgate de vida ou morte. E enfraquece a missão: "procuramos persuadir os homens" (2 Coríntios 5.11). Quem fala do inferno com frieza ou arrogância não aprendeu com Jesus, que chorou sobre a cidade condenada.


Jesus não falou sobre o inferno para nos aterrorizar, mas porque nos amou o bastante para dizer a verdade. Os avisos mais severos vieram dos lábios de quem mais nos amou, como um pai que grita para alertar o filho prestes a correr para uma rua movimentada.


A doutrina que Jesus mais ensinou não é um atestado da crueldade divina, mas o “megafone” pelo qual a graça de Deus nos convida a encontrar refúgio na única pessoa que venceu a morte e o juízo. E a porta ainda está aberta: "Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu darei descanso a vocês" (Mateus 11.28).

 

Para reflexão:

 

  1. Como o fato de Jesus ter falado de maneira dura aos religiosos sobre o inferno desafia a imagem equivocada de superficial amabilidade que a cultura moderna, e muitas vezes nós mesmos, construímos sobre Ele?

  2. De que maneira a compreensão da realidade do juízo eterno e da justiça de Deus transforma a sua visão sobre o sacrifício de Cristo na cruz e a gravidade do pecado no dia a dia?

  3. Sabendo que negar o inferno apaga o nosso senso de urgência, como essa verdade bíblica deve impactar a sua compaixão pelas pessoas e a postura da igreja na missão de compartilhar o Evangelho?

 

Editorial de Fernando Caetano

 

 
 
 

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