O que a Bíblia diz sobre a homossexualidade? (Parte 1)

Atualizado: 21 de Ago de 2018

A homossexualidade não é um problema atual. Ao longo da história vemos diversos relatos em grandes impérios e civilizações onde a prática homossexual era algo comum. Também não é um tópico simples e irrelevante. Não podemos pensar que isso é algo distante de nós, e que nunca vai acontecer ao nosso redor. É um assunto delicado, que deve ser tratado com seriedade e cuidado. Pessoas sofrem por causa disso, famílias sofrem por causa disso, e nós, como cristãos, devemos sofrer com nossos irmãos que lutam com esse tipo de problema.


Para podermos tratar desse assunto é importante entendermos com clareza aquilo que a Palavra de Deus fala sobre o homem, sobre o casamento, e a partir disso, entrarmos em textos específicos que falam sobre a homossexualidade. A Bíblia irá tratar com firmeza sobre esse assunto, mas também dará muita esperança para aqueles que entendem que Deus é o centro de todas as coisas, e não de seus próprios desejos.


Antropologia: uma visão bíblica do homem

Em Gênesis 1-2 vemos o relato da criação, e dentro desse relato nós vemos como Deus criou o homem e a mulher (Gênesis 1.26-28). Homem e mulher tem o mesmo valor — ambos foram criados igualmente à imagem e semelhança de Deus. No entanto, homem e mulher tem funções diferentes. Homens devem amar suas mulheres (Efésios 5.25), liderar (1 Coríntios 11.8,9), prover (1 Timóteo 5.8), e proteger (1 Pedro 3.7). Mulheres devem se submeter a seus maridos (Efésios 5.22), ajudar (Gênesis 2.18), e cuidar (Provérbios 31).


Ainda em Gênesis 1-2 vemos a instituição do casamento — um casamento monogâmico (exclusivo) e heterossexual (entre homem e mulher). Isso também é confirmado pelos propósitos que Deus estabelece para o casamento: representar Cristo e a Igreja (Efésios 5.22-33) e multiplicar-se e encher a terra (Gênesis 1.28).


Em Gênesis 2 nós vemos como Deus criou o sexo para aprofundar a união entre marido e mulher, tornando-os uma só carne. Em Efésios 5 nós vemos como partes complementares são fundamentais para a representação de Cristo e a Igreja. Com isso vemos que “união homossexual” ou “casamento homossexual” não é união ou casamento de forma alguma — pelo menos não como vemos na Bíblia.


O que a Bíblia diz sobre homossexualidade?

Gênesis 19: nesse capítulo nós vemos o relato da destruição de Sodoma e Gomorra, e o motivo pelo qual Deus destruiu aquelas cidades — a impureza do povo. Os homens da cidade tentaram ter relações com os dois anjos que estavam com Ló. Para as pessoas que são a favor da homossexualidade, o pecado condenado por Deus nesse relato é a falta de hospitalidade do povo que não recebeu bem os anjos, e a violência — o problema não é a homossexualidade, mas a prática sem o consenso de ambas as partes. Esses argumentos são negados em Judas 1.7, e também em 2 Pedro 2.4-10. Deus puniu Sodoma e Gomorra por causa da impureza do povo (Judas 1.7).


Levítico 18.22; 20.13: o argumento contra essas passagens é que elas se tratam de ordens não mais aplicáveis a nós hoje, e que estavam ligadas a cultos idólatras (por causa da palavra “abominação”). No entanto, essa palavra é usada várias vezes com conotações diferentes de culto idólatra. Sobre não ser aplicável, nós vemos diversas leis no mesmo contexto (entre os capítulos 18-20) que não questionamos hoje — incesto, adultério, roubo, assassinato, sacrifício de crianças, etc. As práticas não aplicáveis normalmente são relacionadas à preservação da saúde do povo, ou para diferenciar Israel dos povos pagãos, para que Israel fosse uma nação única e forte. Isso significa que a prática homossexual é sim condenada por Deus para nós hoje.


Romanos 1.18-32: esta é a passagem mais importante ao falar sobre homossexualidade, pois ela vai tratar de forma muito clara e direta sobre o assunto, sem a desculpa de que ela não se aplica ao nosso contexto “desse lado da cruz”. Ela fala sobre homossexualidade entre homens e também entre mulheres, e fala ainda sobre aqueles que aprovam esse tipo de prática. Paulo fala que Deus é visível na criação, que o homem rejeitou o Criador, que por causa disso Deus os entregou à impureza e a toda sorte de desejos, que o homem começou a ter práticas contrárias à natureza, e que aqueles que aprovam isso também merecem a condenação. As palavras que Paulo usa para falar sobre homem e mulher, criação, Criador, e até a combinação de animais que ele coloca, fazem uma referência direta ao relato da criação em Gênesis, de forma que ao falar sobre práticas contrárias à natureza, ele quer dizer contrárias à natureza da nossa criação como homem ou mulher, ou seja, quando o homem se relaciona com outro homem, e quando a mulher se relaciona com outra mulher.


1 Coríntios 6.9-11: na lista que Paulo faz, 4 práticas são ligadas a impureza sexual (impuros, adúlteros, efeminados e sodomitas — passivos e ativos). Esses dois últimos especificamente ligados à homossexualidade.


Existem mais textos que tratam sobre homossexualidade (Juízes 19; 1 Timóteo 1.8-11; textos que utilizam a palavra grega porneia). Todas as vezes que a palavra porneia é utilizada no Novo Testamento uma ligação deve ser feita com as leis do Antigo Testamento referentes à práticas sexuais, como Levítico 18.22 e 20.13. Isso significa que Jesus também falou sobre homossexualidade ao citar a palavra porneia (Mateus 15.19).


Lidando com algumas objeções comuns

É importante entendermos que uma boa parte das práticas homossexuais não são necessariamente intencionais, no sentido de alguém buscar isso como um fim em si mesmo. Não é incomum pessoas entrarem por esse caminho como um caminho para alcançar algo que se deseja — reconhecimento, companheirismo, etc. Existem muitos casos de pessoas que entraram em relacionamentos homossexuais por terem amizades muito profundas e intensas com pessoas do mesmo sexo. No entanto, existem algumas objeções comuns que são apresentadas pelo mundo.


Eu nasci assim: não há um estudo sequer que comprove que pessoas nascem homossexuais. Nós nascemos homem, ou nascemos mulher. É verdade que nascemos com desejos intensos e perversos, mas isso não é um aspecto do nosso DNA. Esses desejos são frutos de nossa natureza pecaminosa. Portanto, ninguém nasce homossexual. É uma questão de o que vamos fazer com os desejos que crescem no nosso coração.

Meu corpo, minhas regras: porque Deus nos criou, ele é quem determina como devemos viver. Nosso corpo não é nosso, é de Deus, e ele nos concede esse presente para cumprirmos um propósito muito específico — dar glórias a ele, e representá-lo diante daqueles que ainda não o conhecem. O que fazemos com nosso corpo irá mostrar quem é o nosso senhor, e por mais que seja mais fácil viver para os nossos desejos, isso só irá nos levar à escravidão. Viver para Cristo é que irá nos fazer livres.


Meu Deus é um Deus amoroso: amor é definido por Deus, porque Deus é amor. A Bíblia deixa claro que o amor como Deus define não é esse “amor incondicional” que o mundo prega hoje. O amor de Deus não cancela os seus outros atributos — justiça, santidade, etc. Precisamos amar o que Deus ama, e odiar o que ele odeia. Devemos ser gratos pelo amor de Deus tanto quanto somos gratos pela sua santidade, justiça, soberania, etc. Ele é um Deus de amor, mas ele não é somente amor. Deus odeia o pecado, entre eles a prática homossexual, e isso significa que não podemos amar esse tipo de prática.


Não faz mal a ninguém: famílias, pais, crianças, filhos, igrejas, e a sociedade como um todo estão sofrendo por causa disso. Essa confusão de papéis tem prejudicado em inúmeros aspectos o desenvolvimento saudável da nossa sociedade. Além disso, esse tipo de prática é prejudicial à saúde das próprias pessoas que vivem esse estilo de vida. Inúmeras doenças têm um nível muito maior em pessoas que praticam tais atos, além de um alto nível de depressão e solidão, principalmente com o avanço da idade.


Conceitualmente, essas são informações importantes para entrarmos nesse assunto.


No entanto, algumas outras informações são importantes para saber como agir com pessoas próximas a nós que lidam com isso, e isso será parte de um próximo artigo.

Continua...


Editorial de Gustavo Henrique Santos



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