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Os Dez Mandamentos – O Nome Sobre Todo Nome

Em nossos dias, o nome de alguém é escolhido de forma puramente estética ou talvez por influência da família. Quando um casal descobre que vai ter um bebê, começa a fazer uma lista de nomes para cada sexo e vai eliminando alguns até chegar naquele que o agrada mais. Porém, para os israelitas no Antigo Testamento, a revelação do nome de alguém era um evento mais significativo. Nomes frequentemente expressavam características essenciais ou atributos do indivíduo. É por isso que nas narrativas do Antigo Testamento vemos os pais dando nome aos filhos somente após o nascimento, com base em alguma característica do bebê.


Neste editorial, daremos sequência em nossa série sobre Os Dez Mandamentos, crescendo em nosso conhecimento do Deus único que adoramos, ao refletir no terceiro Mandamento registrado em Êxodo 20.7:


“Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão,

porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.”


1. Tema o nome do Deus único


Na obra de ficção Harry Potter, o vilão da narrativa possui vários nomes. Somente um é o seu nome verdadeiro, mas a maioria dos indivíduos da narrativa só se sentiam confortáveis em pronunciar somente os nomes alternativos, como “Você-sabe-quem” ou “Aquele-que-não-deve-ser-nomeado”. A razão dessa escolha era por medo e pavor das coisas horríveis que Lord Voldemort havia feito, e da impotência das pessoas diante do seu poder.


Alguns poderiam argumentar que a maneira em que devemos temer o nome do nosso Deus único é totalmente diferente deste apresentado nesta obra de ficção em relação ao vilão, mas iremos descobrir que não é tão diferente assim. A principal razão que o terceiro Mandamento existe é porque o Deus único, imortal, onisciente, onipotente, onipresente, existe e Ele tem um nome!


Devemos temer o nome do Deus único porque o Seu nome evoca a Sua pessoa. O Deus que transcende o cosmos, a vida, a morte, o tempo, e a nossa existência passageira Se revelou a nós através de um nome. Na verdade, através da revelação bíblica, Deus se revelou a nós usando muitos nomes. Dessa forma, temor é a única resposta apropriada de alguém a quem foi revelado o poder e a majestade do Deus único.


2. Honre o nome do Deus único


Além de temer o nome de Deus, precisamos aprender a honrar o Seu nome de maneira adequada. O terceiro Mandamento não proíbe que usemos o nome de Deus em todas as circunstâncias, como o judaísmo acredita. No coração deste Mandamento, como diz Allen Ross: “existe um chamado para Seu povo não fazer nada que apresente Deus como alguém menos do que absolutamente Santo, a não fazer nada que busque usá-lO para nossos próprios fins, a não fazer nada que permita ao mundo vê-lO como menos de quem Ele é”.¹


De maneira mais prática, honrar o nome do Deus único significa não invocar Deus em um juramento que não pretendemos cumprir. Por exemplo, quando alguém diz: “Eu juro por Deus que não vou fazer mais isso”, somente com o objetivo de se livrar de uma punição, essa pessoa desonra o nome de Deus. Ou também quando alguém usa o nome de Deus de maneira trivial ou profana, o nome de Deus é desonrado. Todas essas coisas fazem Deus parecer insignificante e sem majestade. Portanto, essas ações difamam o Seu caráter, ou trazem vergonha ao Seu nome.


3. Proclame o nome do Deus único


Um dos momentos mais significativos em toda Escritura em relação ao nome de Deus é quando Moisés pede para ver a glória de Deus. Este homem que conversava com Deus face a face sabia que ainda havia algo da majestade do Senhor que ele ainda não havia visto, por isso ele pede: “Rogo-te que me mostres a tua glória”. E Deus responde: “Farei passar toda a minha bondade diante de ti e te proclamarei o nome do SENHOR” (Êxodo 33.18, 19). É muito significativo que quando Moisés pede para ver a glória do Senhor, Deus responde que fará isso passando a Sua bondade diante dele e proclamando o nome do Senhor!


Depois que Moisés recebe as tábuas da lei pela segunda vez, o texto continua: “Tendo o SENHOR descido na nuvem, ali esteve junto dele e proclamou o nome do SENHOR. E, passando o SENHOR por diante dele, clamou: SENHOR, SENHOR Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até à terceira e quarta geração!” (Êxodo 34.5-7). Moisés conheceu o nome do Senhor que foi proclamado a ele quando viu o Deus Todo-Poderoso que é “compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade”, mas que também “perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado”.


É por isso também que o nome do nosso Deus único é conhecido de maneira suprema na obra do nosso Senhor Jesus Cristo, que revela a harmonização perfeita do amor perdoador de Deus e Sua justiça santa. Nele, temos perdão dos pecados. E na Sua morte, vemos que Deus recebeu o pagamento pelos nossos pecados. Não é à toa que é também em uma montanha, possivelmente no mesmo local que um dia Deus também proclamou Seu nome a Abraão e Isaque (Gênesis 22.1–19), que o nosso Salvador é oferecido no lugar de pecadores culpados (Mateus 27.33). E aquele mesmo Moisés, que um dia pediu para ver a glória de Deus no monte Sinai, finalmente pôde ver Jesus Cristo juntamente com alguns dos apóstolos no Monte da Transfiguração (Mateus 17.1–8; João 1.14; 17.26).


Portanto, agora que o nosso Senhor Jesus Cristo proclamou o nome do Deus único em Sua vida, morte e ressurreição, nós devemos proclamar o nome de Jesus Cristo para outros. Diferentemente de Moisés, que em seu estágio da revelação bíblica somente recebeu a proclamação do nome de Deus, nós temos este privilégio de apontar para Aquele que é o próprio Deus e Salvador:


“Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular.

E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.”

(Atos 4.11, 12)


O terceiro Mandamento revela para nós que a maneira como usamos o nome de Deus diz muito sobre a quem adoramos e se o fazemos de maneira digna. Minha oração é que você, leitor, juntamente com o povo santo do Senhor aprenda a temer, a honrar e a proclamar o nome do nosso Deus único.


Editorial de Leonardo Cordeiro

¹Allen Ross e John N. Oswalt, Cornerstone biblical commentary: Genesis, Exodus, vol. 1 (Carol Stream, IL: Tyndale House Publishers, 2008), 444 [Tradução livre do autor].


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