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Será mesmo que a Bíblia tem todas as respostas?

Esses meus últimos dias foram marcados por conversas interessantes em que quase todas tiveram um tema em comum, mesmo que não explícito. Será que a Bíblia tem todas as respostas? A pergunta não apareceu dessa forma, mas vamos pensar em alguns exemplos que trazem essa pergunta à tona: Meu filho pode estudar e morar em outra cidade? Eu posso aceitar um emprego em outra cidade? Com quantos anos meu filho pode namorar? Eu posso ser jogador de futebol, mesmo que isso implique não conseguir estar na igreja aos domingos? Qual faculdade eu devo escolher: medicina ou engenharia?


A Bíblia não tem todas as respostas

Olhando para essas perguntas, e eu tenho certeza que conseguimos pensar em inúmeras outras parecidas com essas, nós vemos que a Bíblia não tem todas as respostas. Pelo menos não as respostas que queremos. E é esse o problema. Nós não queremos pensar, queremos respostas prontas, não queremos a responsabilidade da decisão, não queremos o risco da incerteza — queremos a garantia de que tudo irá dar certo da forma como desejamos.


Por causa desse pensamento, muitas vezes tratamos a Bíblia como um livro-prova, buscando textos-base para afirmar as decisões que queremos tomar, mesmo que a passagem não diga o que queremos que ela diga.


Nós nunca teremos todas as respostas nessa vida

Não sei se isso te desespera, mas algo que a Bíblia afirma é que nessa vida nós não teremos todas as respostas que queremos.


“As coisas encobertas pertencem ao SENHOR, nosso Deus,

porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre,

para que cumpramos todas as palavras desta lei.”

(Deuteronômio 29.29)


“Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o SENHOR, porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos,

e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos.”

(Isaías 55.8,9)


Os planos de Deus são igualmente compreensíveis e incompreensíveis. Nós podemos entender o essencial, mas muitas coisas não cabem a nós saber e, de fato, nunca saberemos nessa vida.


A Bíblia tem todas as respostas

Pois é. Contraditório num certo sentido, mas não em outro. Afirmar que a Bíblia tem todas as respostas — que ela é suficiente — não é o mesmo que dizer que eu encontro nela tudo o que eu quero saber, mas que eu encontro nela tudo o que eu preciso saber. A Bíblia não é um livro-prova. Infelizmente, é muito comum entendermos a Bíblia assim, e até mesmo usar a soberania de Deus — que é uma verdade essencial — como uma desculpa para sermos preguiçosos e não agirmos.


A Bíblia conta uma história, que também não é a nossa história. A Bíblia nos mostra quem Deus é, quem Cristo é, e qual é o plano de Deus para redimir o homem pecador. Ela revela o mais profundo do nosso coração, nossas motivações, nossa pecaminosidade, e como Jesus redime todas as coisas através de sua vida, morte e ressurreição. Não, você e eu não somos o foco da Bíblia. Deus é! E é por isso que a Bíblia não se propõe a responder tudo o que queremos saber. Porém, Ela tem todas as respostas que precisamos.


E é aqui que as coisas ficam confusas. Por que Deus não nos dá simplesmente as respostas certas? Por que Ele não me mostra exatamente qual emprego eu devo escolher? Por que Ele não me mostra exatamente o que dizer para os meus filhos? Por quê? Por pelo menos dois motivos: (1) Deus nos criou com uma consciência capaz de ser treinada e de tomar decisões sábias (1 Coríntios 10.23–31), e porque (2) Deus quer que dependamos dEle nas decisões que tomamos (Salmo 37.4,5).


Deus nos deu capacidade para pensar e tomar decisões

Deus nos deu uma consciência. Embora ela seja tratada de forma muito subjetiva às vezes, a consciência pode ser definida como a capacidade que cada ser humano tem de discernir entre o certo e o errado [1]. Como toda capacidade, ela pode — e deve — ser treinada. E como se trata de discernimento entre o certo e o errado, o ponto de referência é a Palavra de Deus. Quanto mais crescemos no conhecimento de Deus e de Sua graça, mais sensíveis ao nosso pecado nos tornamos, mais sábios nos tornamos, e mais capacitados seremos para tomar decisões que O agradem.


Deus nos criou como seres dependentes

Da mesma forma que fomos criados com a capacidade de pensar, também fomos criados dependentes. Provavelmente aqui esteja a nossa maior dificuldade. Nós queremos saber o futuro por trás das nossas decisões antes mesmo de tomá-las. Por quê? Eu gostaria de dizer que é porque queremos simplesmente agradar a Deus, mas a verdade na maior parte das vezes é que não queremos sofrer, que não queremos dificuldades, que não queremos nada de ruim que possa acontecer — queremos tomar a decisão e sermos felizes. Resumindo, nós não queremos depender de Deus, confiar que Ele sabe o que é melhor para nós, e que Ele irá usar as nossas decisões, tanto certas como erradas, para moldar em nós o caráter de Cristo.


Para muitas perguntas que teremos ao longo da nossa vida nós não teremos as respostas que queremos, mas não devemos nos apavorar quando ouvirmos que algumas situações não são sempre da mesma forma e devem ser analisadas caso a caso, ou um “não sei” de alguém, que teoricamente deveria ter todas as respostas, seja ele um pai ou um pastor. Deus nos deu tudo o que precisamos e nos criou com capacidade de tomarmos decisões.


Parece que às vezes preferimos tranquilidade do que sermos moldados à imagem do nosso Salvador. Que Deus tenha misericórdia de nós e nos conceda graça para buscarmos a Ele, confiar que Ele tem o melhor planejado para nós, deixar de lado a preguiça de pensar e assumir a nossa responsabilidade de tomar as melhores decisões que pudermos, certos de que em Cristo somos sempre triunfantes (2 Coríntios 2.14).


Editorial de Gustavo Henrique Santos



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