Sinais da amargura

Atualizado: 27 de Ago de 2018

Alguém uma vez disse: “a amargura é o veneno que alguém toma esperando que outra pessoa morra.” A amargura faz mal a quem tem e é um mal contra alguém. Ela escraviza o coração ofendido, privando-o da alegria do perdão. A amargura rouba a vitalidade espiritual que o coração precisa para crescer e amadurecer em amor. O resultado afeta o amargurado, contamina quem está perto e ofusca o testemunho do Evangelho na comunidade. Embora seja um problema comum, a amargura é uma questão séria. A amargura precisa ser encarada à luz do Evangelho, para a glória de Deus e para o bem do amargurado.


A mudança começa com a identificação do problema. Porém, é comum o amargurado dizer que não tem problema com a amargura. A negação do problema é resultado de orgulho, ignorância e até apego a um padrão de justiça própria. Por isso, contra a cegueira da amargura, considere alguns de seus sinais:


Vingança

A amargura pode demonstrar intensidades diferentes. A vingança é a busca por fazer justiça com as próprias mãos. Ela brota de um sentimento intenso de animosidade contra alguém que lhe fez um mal – real ou apenas percebido. Porém, no coração da vingança está o desejo de assumir o lugar de Deus, a quem pertence a vingança (Romanos 12.19). A vingança se manifesta de diversas formas:

  • Quando você procura meios para retribuir o mal com ações (Romanos 12.17). É a lógica pecaminosa do “aqui se faz, aqui se paga!”.

  • Quando você retribui uma ação com um silêncio punitivo. A soberba o impede de manter um relacionamento amoroso e humilde com quem lhe ofendeu; então, seu silêncio é a forma com que você se vinga de um mal sofrido. “Eles irão sofrer minha ausência!”

  • Quando você retribui com palavras que irão atacar o ofensor, buscando contaminar outras pessoas para que elas concordem com você: “pelo menos as pessoas irão saber quem de fato é aquele que...”

  • Quando você busca e anseia por notícias ruins sobre o ofensor. Essa “curiosidade perversa” é mais uma manifestação maldosa de vingança e amargura no nível do desejo.

Lembranças perturbadas

A amargura nem sempre é externada de forma clara. Por vezes, ela ocupa apenas a arena da mente. O problema é que ela nunca irá ficar somente lá dentro. Eventualmente, a amargura irá dar vazão a uma atitude de vingança ou autocomiseração. Mas, enquanto ela está na toca, é importante reconhecê-la:

  • Quando o evento passa vez após vez na mente do amargurado. Como um filme, a situação se repete constantemente nos pensamentos, que procuram finais alternativos e felizes. “Se eu tivesse dito isso ou feito aquilo, não teria acontecido nada disso.”

  • Quando o evento é lembrado com tristeza maior que a alegria no Senhor. É de se esperar que algumas situações tragam tristeza. E até muita tristeza. Porém, quando a tristeza é constante e progressivamente maior que qualquer meditação sobre a glória do Evangelho e suas alegrias, pode ser um sinal de amargura.

  • Quando as lembranças não permitem uma visão amorosa do ofensor. O Evangelho deixa de ser as lentes pelas quais você enxerga o próximo, mas sim sua amargura. Assim, tudo quanto o ofensor faz é suspeito aos seus olhos. Você mantém sempre a atenção nos erros do ofensor e não olha para seus próprios erros e pecados (Mateus 7.1-5).

Autocomiseração

A amargura também está no centro da autocomiseração. A autocomiseração é uma manifestação de orgulho sutil. Por não ser uma fala arrogante, a autocomiseração passa como humildade. Porém, trata-se de uma falsa humildade. A autocomiseração é fruto de uma disposição mental centrada em si mesma:

  • Quando eu gasto o tempo todo pensando em mim mesmo e em como minha situação é ruim. Além de ser egoísta, esse tipo de disposição mental ofusca sua visão para enxergar oportunidades de amar pessoas na mesma atitude de Cristo Jesus (Filipenses 2.4).

O Evangelho

As boas novas de Jesus Cristo nos oferecem um outro caminho. A amargura se opõe à benignidade, compaixão e perdão (Efésios 4.31, 32), virtudes demonstradas por Cristo e dadas a todos aqueles que nEle creem. As lentes pelas quais enxergamos pessoas (i.e. ofensores) são as boas novas do Evangelho, e não a nossa justiça própria. Na luta contra a vingança, lembre-se que Jesus Cristo é a nossa justiça. Na luta contra as lembranças perturbadas, lembre-se do que Ele já fez na cruz. Na luta contra a autocomiseração, lembre-se da atitude que houve em Cristo Jesus. Lembre-se do túmulo vazio e do que Ele já conquistou por você. Assim, sua amargura irá ser lenta e progressivamente transformada na docilidade de Cristo.


Editorial do Pr.Alexandre "Sacha" Mendes





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