Amizades Bíblicas: Amigo, estou aqui...

Toy Story foi um filme que marcou minha infância. Lembro de assistir repetidas vezes, e de achar impressionante a lealdade que existe entre os personagens — inclusive entre os brinquedos e seu dono. Por vezes, me pego cantando a música tema: “Amigo, estou aqui...” É, de fato, um filme que retrata as virtudes de uma verdadeira amizade, pelo menos uma amizade como o mundo a vê.


É interessante pensar sobre isso, porque além de ser um tema presente e relevante, a amizade também é um assunto visto de forma muito equivocada na nossa sociedade. A forma de amizade que o mundo valoriza vai na contramão daquilo que a Palavra de Deus nos ensina. O que Deus nos mostra, por meio da sua Palavra, é que boas amizades são imprescindíveis para uma vida cristã saudável, e que existem parâmetros que nos dizem o que é ser um amigo verdadeiro — e, consequentemente, que tipo de amigos devemos buscar.


Por isso, ao longo das próximas semanas abordaremos algumas perguntas que nos ajudarão a compreender melhor o que é ser um amigo verdadeiro, quais são os ingredientes necessários para construir uma amizade saudável, qual a importância e o objetivo das amizades, e como começar uma amizade que agrade a Deus e edifique a Sua igreja.


Tornando-se um amigo fiel


Não foram poucas as vezes em que ouvi a seguinte pergunta: “Como saber se ‘fulano’ é um bom amigo?” Essa é uma ótima pergunta, mas que não deveria ser a pergunta inicial. Embora possamos fazê-la com o real desejo de nos aproximarmos de pessoas fiéis e maduras, que nos auxiliarão em nossa caminhada com Cristo, ela assume a amizade como uma via de mão única. De certa forma, ela revela que estamos procurando alguém que satisfará nossas necessidades e que nos ajudará com o que precisamos, sem entendermos o nosso papel dentro desse relacionamento.


Por outro lado, eu raramente ouvi a pergunta que creio ser central: “Eu sou um bom amigo?” Ainda que os parâmetros para analisar se alguém é um bom amigo ou se você é um bom amigo sejam os mesmos, como veremos mais à frente, a mudança de abordagem faz toda a diferença em como viveremos esses princípios. Infelizmente, essa é uma realidade para diversos outros assuntos. Quando ouvimos um sermão, por exemplo, nossa tendência é pensar sempre naqueles que precisam ouvir aquilo, e não em como nós mesmos podemos aplicar o sermão. Portanto, antes de sair por aí buscando amigos, pense em como você tem sido como amigo.


1. O amigo é alguém muito próximo


“Quem tem muitos amigos pode cair em desgraça;

mas há amigo mais chegado que um irmão.”

(Provérbios 18.24)


Amigos estão sempre por perto, independentemente das circunstâncias. E assim como é esperado de um irmão, o amigo é alguém que conhece bem a outra pessoa.


2. O amigo é constante


“O amigo ama em todo tempo, e na angústia nasce o irmão.”

(Provérbios 17.17)


Caminhando bem próximo da primeira característica, nesse texto vemos que amigos são pessoas confiáveis, que demonstram amor o tempo todo. Amigos, portanto, são pessoas próximas e fiéis, que conhecem bem o outro, que se fazem presentes, que participam da vida um do outro.


3. O amigo é sincero


“Melhor é a repreensão franca do que o amor encoberto.

Leais são as feridas feitas pelo que ama,

porém os beijos de quem odeia são enganosos.”

(Provérbios 27.5, 6)


Parte essencial de ser amigo é não só enxergar os pecados do outro, mas confrontar esses pecados, comunicando de forma amorosa a verdade (Efésios 4.15). A maior preocupação do amigo verdadeiro é ver Cristo sendo formado no outro, e isso só acontece quando pecados são tratados. Logo, um amigo verdadeiro é alguém que se importa mais com a santidade do próximo do que com “ficar bem na fita” com o outro.


4. O amigo dá conselhos bíblicos


“O ferro se afia com ferro, e uma pessoa, pela presença do seu próximo.”

(Provérbios 27.17)


A Palavra de Deus é o que nos afia, e amigos usam a Palavra para afiar uns aos outros. Amigos de verdade não saem por aí simplesmente dando opiniões e compartilhando experiências, mas buscam aplicar as verdades das Escrituras às situações do dia a dia. Isso também traz um ponto que será tratado com mais detalhes nos próximos editoriais, mas que é importante destacar: amigos de verdade conversam sobre as coisas de Deus. Obviamente, há espaço para conversas triviais e descontraídas. Mas um amigo verdadeiro é aquele que inicia conversas edificantes, que faz perguntas difíceis sobre a Palavra, que faz de Deus o centro do relacionamento.


5. O amigo perdoa


“Quem encobre a transgressão fortalece a amizade,

mas o que insiste no assunto separa os maiores amigos.”

(Provérbios 17.9)


Amigos estão sempre dispostos a perdoar, porque entendem o perdão que receberam de Jesus. É importante enfatizar que encobrir as transgressões não tem a ver com ignorar pecados, até porque isso seria incoerente com as características de sinceridade e conselhos mencionados acima. Encobrir as transgressões significa que os pecados tratados jamais devem ser trazidos à tona.


Eu creio que essa é a característica mais importante dessa breve e não exaustiva lista. É impossível pensarmos em relacionamentos saudáveis e duradouros sem a disposição de perdoar. Assim como falhamos com os outros frequentemente, outros também falharão conosco. Portanto, precisamos ter um coração disposto a perdoar, assim como Deus nos perdoou em Cristo (Efésios 4.32).


6. O amigo te leva para perto de Jesus


“Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós;

portanto, também nós devemos dar a nossa vida pelos irmãos.”

(1 João 3.16)


Por último, mas de forma alguma menos importante, amigos estão dispostos a se sacrificar por você para te levar para perto de Jesus. Um amigo de verdade não entra num relacionamento para desfrutar de benefícios, mas para servir.


Ser um amigo verdadeiro dá trabalho. Exige de nós esforço. Mas é um trabalho impulsionado por aquilo que Jesus fez por nós (Efésios 4.32; 1 João 3.16). Jesus veio para amar e servir aqueles que estavam longe do Pai, levando-os para perto. E é exatamente isso que Ele nos chama a fazer, capacitados por Sua obra e seguindo o Seu exemplo.


Editorial de Gustavo Santos