Atributos de Deus: Deus é Imutável

Estamos iniciando nesta semana uma nova série de editoriais que focará em diversos atributos de Deus. A principal motivação para estudarmos este tema é o fato de que nossa vitalidade espiritual é fruto de conhecermos o nosso Deus. Por isso, meditar nos Seus atributos é fundamental quando falamos de “dar o próximo passo em direção a Cristo”, o tema do ano de 2021 para nossa igreja.


Muitos de tais atributos apresentam um grande desafio para o nosso entendimento, já que frequentemente não são verificados em nós mesmos, sendo muito mais altos do que o que estamos acostumados a ver e experimentar (Isaías 40.8, 9). Apesar de algumas vezes vermos na Palavra trechos que aproximam algumas atitudes de Deus às dos homens (Jonas 3.10 e Gênesis 6.6, por exemplo), devemos sempre lembrar que: “Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa” (Números 23.19). Ou seja, a natureza de Deus — e, portanto, Seus atributos — não é como a nossa, apesar de, em alguns aspectos, conservarmos com Ele certa semelhança (Gênesis 1.26–28). Inclusive, somos incentivados a desenvolvermos alguns de seus atributos em nós mesmos, como, por exemplo, a santidade (1 Pedro 1.16).


A imutabilidade de Deus

Um atributo que muito se distancia da natureza dos homens é a imutabilidade de Deus. A própria finitude da vida humana, na condição de criatura, já gera em nós uma vasta gama de mudanças, o que para Deus, que é eterno, não ocorre. Deus simplesmente não muda, não há nele qualquer “sombra de variação” (Tiago 1.17).


Não estamos acostumados com isso, pois vivemos num mundo em constante mudança. E isso parece que ocorre cada vez mais rápido. Apesar de muitas mudanças não serem fáceis — ainda mais aquelas que são inesperadas — algumas pessoas anseiam por elas, muitas vezes como uma forma de fugir da situação em que se encontram. Frequentemente associamos mudanças ao desenvolvimento, à melhoria, apesar de em várias situações vermos pessoas retornando às origens, ao tradicional, justamente porque certas mudanças não as agradaram, ou, na verdade, pioraram as coisas.


Mas e se não tivesse mais como melhorar algo? Ainda estaríamos trabalhando por mudança? É quase que inconcebível pensar na resposta dessa pergunta, já que nada parece ser impossível de se melhorar. Mas é aí que nos voltamos para Aquele que não muda, o Criador de todas as coisas.


A natureza de Deus não muda

“Em tempos remotos, lançaste os fundamentos da terra; e os céus são obra das tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permaneces; todos eles envelhecerão como uma veste,

como roupa os mudarás, e serão mudados.

Tu, porém, és sempre o mesmo, e os teus anos jamais terão fim.”

(Salmo 102.25–27)


A imutabilidade de Deus está intimamente ligada à Sua eternidade. Deus não envelhece, não se enfraquece, não se cansa. Ou seja, o estado de Deus é constante, não há variação como em nós, que temos dias bons e dias maus, os quais, na verdade, são ambos feitos por Ele (Eclesiastes 7.14).


Deus sempre está da mesma forma e também sempre é do mesmo jeito, o que Ele deixou bem claro a Moisés na própria definição de Seu nome:


“Disse Deus a Moisés: Eu Sou o Que Sou.”

(Êxodo 3.14a)


Ele é o que é. Não há mudança, não há variação. E isso é uma grande fonte de conforto e segurança, pois sabemos o que sempre podemos esperar de Deus, o que já não é verdade com relação a nós mesmos e a outras pessoas.


A palavra de Deus não muda

E não é só a Sua natureza que não muda, a Sua Palavra também é imutável e eterna.


“Pois toda carne é como a erva, e toda a sua glória, como a flor da erva;

seca-se a erva, e cai a sua flor; a palavra do Senhor, porém, permanece eternamente.”

(1 Pedro 1.24, 25a)


Aí está mais um motivo de alegria para nós, pois temos a certeza de que, por meio de sua Palavra, que é atemporal e constante, podemos conhecer a Deus e a nós mesmos, por mais inconstantes que sejamos.


A maneira com que Deus nos trata não muda

Ligada à Sua invariável natureza, a maneira com que Deus nos trata também não muda. Isso é fruto de Seu caráter imutável, baseado em princípios eternos, os quais guiam Suas ações para conosco:


“Se somos infiéis, ele permanece fiel,

pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo.”

(2 Timóteo 2.13)


Deus sempre permanece fiel, e isso nos traz a certeza de que todas as promessas feitas por Ele serão cumpridas. Que conforto é sabermos disso! E é a imutabilidade de Deus que garante que os seres humanos não sejam simplesmente consumidos:


“Porque eu, o Senhor, não mudo;

por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos.”

(Malaquias 3.6)


Firmados nessas verdades, podemos viver de forma a buscarmos desenvolver em nós o caráter de Cristo, o qual, à semelhança do Pai “ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre” (Hebreus 13.8).


Convido a todos a conhecerem, ao longo dessa nova série de editoriais, mais sobre os atributos imutáveis de Deus, os quais se manifestam em Jesus, nosso maior exemplo.


Editorial de André Negrão Costa