Como estudar a Bíblia (Parte 1): Nossa postura

Se você é capaz de ler este editorial, é muito provável que você já teve contato com a Bíblia de alguma forma. Seja por uma interação direta, ou por alguém mencionando algo acerca desse livro, é muito difícil passarmos muito tempo sem ouvirmos alguma coisa que envolva a Bíblia de alguma forma. E isso não é surpresa: a Bíblia é o livro mais lido do mundo, é natural que alguns dos seus elementos estejam presentes na cultura que nos cerca. Apesar desse fato, a Bíblia também é um dos livros mais mal interpretados do mundo. Usualmente, as pessoas enxergam a Bíblia como uma autoridade naquilo em que ela concorda com a sua visão de mundo, chegando ao ponto de alterar o texto em busca de algo mais atraente. Outros a veem como um simples livro de sabedoria, ou como uma coleção de fórmulas mágicas para se obter sucesso no mundo dos negócios ou em relacionamentos. Mesmo como cristãos, muitas vezes caímos nos mesmos erros: adequamos as Escrituras à nossa teologia, e até ignoramos partes que não nos agradam, ou que achamos difíceis demais de entender. Dito isto, fica a pergunta: Como os cristãos devem se relacionar com a Bíblia? Neste texto, vamos explorar um pouco o assunto de maneira introdutória, nos preparando para uma série de editoriais sobre como estudar a Bíblia. Em suma, devemos ter em mente que a Bíblia é a Palavra de Deus, onde Ele mesmo se dá a conhecer. Ela mostra o Seu plano redentor, e é instrumento do Espírito Santo para a nossa transformação à imagem de Jesus Cristo.


A Bíblia é a Palavra de Deus, onde Ele mesmo se dá a conhecer

Apesar de Deus se revelar de maneira parcial por meio da natureza e da lei moral (como Paulo expõe em Romanos 1–3), Deus se revela de maneira última por meio de Sua Palavra. Ela é responsável por responder à pergunta “quem é Deus”, e Ela responde isso com a autoridade de uma autobiografia: autores humanos foram usados ao longo da história pelo Espírito Santo para mostrar que Deus é o Criador do universo (Gênesis 1), que é Ele quem sustenta toda a ordem criada (Jó 38 e 39). Deus é o Soberano Juiz (Salmo 50.1–6), e perante Ele todos prestarão contas um dia (Hebreus 4.13). Só conheceremos verdadeiramente a Deus se nos debruçarmos sobre o que Ele tem a dizer sobre Si mesmo — sem a interferência de opiniões alheias às Escrituras. Assim, as primeiras atitudes que devemos ter ao nos aproximar do texto bíblico é de reverência e temor, tendo em mente que as nossas opiniões sobre Deus são muito menos importantes (e menos verídicas) do que o que Ele mesmo tem a dizer sobre Si. Isso envolve reconhecer a nossa ignorância diante da infinitude revelada diante de nós em algo finito, um livro que podemos carregar debaixo do braço.


Ela mostra o seu plano redentor...

Mas Deus não fala apenas sobre si nas Escrituras; sendo soberano e criador, também nos dá informações sobre quem somos. Fomos criados para sermos imagem e semelhança de Deus, capazes de refletir o Seu caráter e mostrar a Sua glória na terra (Gênesis 1.26–28). No entanto, o homem se rebelou contra Ele, preferindo seguir seus próprios desejos e ignorando o Seu criador (Romanos 1.18-23). Assim, a humanidade está em pé de guerra contra Deus, levando a vida da maneira que melhor lhe convém, e colhendo os frutos naturais dessa atitude. Mesmo assim, Deus toma a iniciativa: Jesus Cristo, Deus-Homem, vive uma vida perfeita, e cumpre totalmente a vontade dEle, Se tornando o nosso perfeito substituto (Isaías 53). Sua vida representa tudo o que não poderíamos viver por nós mesmos, e Sua morte nos lembra da punição que merecíamos pelos nossos pecados. Por meio dEle, somos reconciliados com Deus (Romanos 5.10) e passamos a desfrutar da Sua graça. Esse fato nos leva a outros aspectos da postura que devemos ter ao ler a Bíblia: diante de tamanha redenção, devemos assumir uma postura de humildade e gratidão. Não somos, por nós mesmos, merecedores de atenção, e muito menos da misericórdia de Deus. Mas por ser quem Ele é, Deus envia Seu filho Jesus Cristo para morrer na cruz por nós, sendo a propiciação final pelos nossos pecados.


...e é instrumento do Espírito Santo para a nossa transformação à imagem de Jesus Cristo

Finalmente, a Palavra de Deus não tem como objetivo simplesmente satisfazer a nossa curiosidade intelectual, mas ela vai além: ela nos apresenta o plano de redenção e nos chama à mudança. Pouco a pouco, ao conhecer mais do caráter de Deus, entendendo a profundidade do sacrifício de Cristo e como isso se aplica a cada aspecto da nossa vida, somos gradualmente transformados (2 Coríntios 3.18). Este é um processo operado por Deus, que será completado somente na volta de Cristo (Filipenses 1.6). Assim, outro aspecto da postura que devemos ter diante da Bíblia é um coração voltado para a mudança. Parte disso é entender que, tendo Cristo como padrão, ainda temos muito a crescer — algo que somente pode ser feito pela graça de Deus. Assim, quando a Palavra nos confronta, temos consolo ao saber que tudo isso tem o objetivo de nos tornar como Cristo (Romanos 8.29).


Ninguém pode dizer que estudar a Bíblia é fácil, mas poucos dos que mergulham de cabeça nas Escrituras diriam que este é um esforço inútil. Conhecer sobre Deus, entender a Sua graça redentora e ser transformado à sua imagem — algo que só pode ser feito com o estudo da Palavra — é uma das maiores bênçãos do cristão. Somos chamados a manter a postura correta e a mente preparada para o que vamos ler, para que possamos desfrutar inteiramente do presente divino das Escrituras.


Editorial de Petrônio Nogueira



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