Conflitos

Na semana passada, o mundo comemorou os 75 anos do fim da Segunda Guerra Mundial em meio a mais uma crise que, apesar de não ser um confronto direto entre nações, tem gerado inúmeros conflitos nas mais variadas esferas de nossa sociedade. Contudo, mesmo quando não atravessamos crises como essas, podemos ver conflitos em todos os lugares do mundo, do nível nacional ao individual. Conflitos com familiares, conflitos com colegas de trabalho, conflitos com irmãos da igreja, conflitos até mesmo com Deus.


A origem dos conflitos

De onde vem essa hostilidade tão grande que todo ser humano parece possuir em um nível ou em outro? É interessante que na própria Bíblia podemos notar essa pergunta, e melhor, acompanhada de sua resposta:


“De onde procedem guerras e contendas que há entre vós?

De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne?”

(Tiago 4.1)


Os prazeres que militam na nossa carne são aquilo que gera nossos conflitos. São desejos incontrolados lutando em nós (Tiago 4.1), que muitas vezes não são supridos, gerando frustração (Tiago 4.2), e que tem o “eu” como foco (Tiago 4.3).


O mundanismo dos conflitos

Esse conflito interno — causado por desejos incontrolados, não supridos e focados na satisfação própria — desdobra-se nos mais diversos conflitos externos que afetam nossos relacionamentos. Entretanto, tais desdobramentos não atingem apenas as pessoas à nossa volta, mas também nosso relacionamento com Deus. Esta hostilidade para com Deus tem origem justamente na causa de nossos conflitos:


“Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus?”

(Tiago 4.4a)


A inimizade para com Deus provém da amizade com o mundo. Ou seja, os prazeres em nossa carne são expressões do mundanismo que cultivamos. Nossos desejos são resultado de querermos ter aquilo que o mundo tanto cultua: a satisfação própria. Quando todas as pessoas têm como prioridade a sua própria satisfação, é inevitável que conflitos apareçam, já que estarão dispostas a fazer o que for necessário para terem seus desejos atendidos, incluindo matar, lutar e fazer guerras. Ou seja, um dos grandes custos do mundanismo são os conflitos, gerados por um coração em guerra com os outros, consigo mesmo e com o próprio Deus.


A resolução dos conflitos

Muitas vezes pensamos que o fim de nossos conflitos estará em atingirmos aquilo que desejamos, tanto ao outras pessoas cederem, quanto ao termos nossos pedidos atendidos por Deus. Entretanto, a epístola de Tiago responde a isso com uma citação (Provérbios 3.34) que contém a chave de uma vida livre de conflitos:


“Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.”

(Tiago 4.6b)


A humildade é o remédio para um coração conflituoso. Ela decreta paz em meio à guerra contra Deus que se instala quando queremos seguir ao mundo e viver para a satisfação de nossos prazeres pessoais. Ela nos permite enxergar as outras pessoas não como empecilhos para atingirmos aquilo que desejamos.


A humildade nos conflitos

Nos versículos seguintes (Tiago 4.7-10), a epístola traz uma série de dez imperativos os quais caracterizam as ações que devemos tomar para termos uma vida de verdadeira humildade, o que nos permite viver de forma a resolver e evitar conflitos nos mais diversos contextos.


Em primeiro lugar, devemos nos sujeitar a Deus, isto é, viver sob a Sua autoridade. Devemos dizer não para nós mesmos e deixar o controle de nossas vidas nas mãos de Deus. Isso nos leva a resistir ao diabo, já que ele não possui autoridade sobre nós. Não devemos ceder às suas tentações e engano, que nos levam ao pecado (v. 7). Em vez disso, devemos nos achegar a Deus, vivendo uma vida de intimidade com Ele, reconhecendo que em tudo dependemos dEle. Devemos também purificar nossas mãos (exterior) e limpar nossos corações (interior), ou seja, vivermos em completa santidade naquilo que fazemos e em nossas motivações (v. 8). Além disso, devemos nos afligir, lamentar e chorar, convertendo nosso riso e alegria, pela satisfação de nossos prazeres mundanos, em pranto e tristeza, ao olharmos nossa condição de pecadores (v. 9). Por fim, isso culmina em nossa verdadeira humilhação na presença de Deus, a qual resulta, ao final, em nossa exaltação (v. 10).


Em suma, ao vermos que os conflitos são resultados do mundanismo em nossos corações, o qual nos leva a vivermos uma vida de satisfação própria, concluímos que, apesar de se expressarem de maneira visível em nossos relacionamentos interpessoais, os conflitos demonstram um estado de guerra contra Deus. Dessa forma, a resolução de nossos conflitos está justamente relacionada ao nosso relacionamento com Deus, sendo este dependente de uma vida de humildade perante Ele, a qual se traduzirá em paz para com o próximo.


Por fim, os imperativos que descrevem esta humildade são também as bases de nossa fé no Evangelho: sujeição ao senhorio de Deus, resistência às tentações do diabo, vida de intimidade com Deus e de santidade (exterior e interior), desprezo aos prazeres transitórios do pecado e reconhecimento de sua gravidade. Ou seja, a resolução dos conflitos está exatamente em vivermos de forma coerente com o Evangelho que cremos e professamos.


Editorial de André Negrão Costa



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