Crentes Revitalizados: Benignidade e Bondade

De onde vem a bondade

“Por que você me chama de bom? Ninguém é bom, a não ser um, que é Deus” (Lucas 18.19). Essa foi a resposta dada por Jesus ao jovem rico, que se dirigiu a Ele como “Bom Mestre”. Ao responder desse modo, Jesus estava assumindo a perspectiva do jovem rico. Claramente, ninguém é completamente bom, a não ser o próprio Deus. Assim, não seria adequado que o jovem se dirigisse a Jesus como “Bom Mestre” até que estivesse pronto para reconhecê-lO como o próprio Deus.


Lembrar essa história nos traz à memória o fato de que toda bondade flui da pessoa do próprio Deus. Portanto, se na lista de Paulo do fruto do Espírito está presente a bondade, tenhamos em mente que é no próprio Deus que devemos buscá-la, e que, em nós mesmos, não a encontraremos. Mas, de fato, o que é bondade?


De maneira mais ampla, bondade pode ser compreendida como o trabalhar em benefício dos outros. Paulo menciona novamente o tema em Gálatas 6.10: “Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé.” Tal pensamento encontra eco em sua carta aos Filipenses: “não tendo em vista somente os seus próprios interesses, mas também os dos outros” (Filipenses 2.4).



Meios de demonstrar bondade

A bondade é manifesta à medida em que se abre mão dos próprios desejos e interesses em prol do benefício do outro. Manifesta-se no alimentar o faminto, no visitar o encarcerado, no fazer justiça ao oprimido. Fazer o bem voluntariamente sem esperar ou receber nada em troca é de grande valor para Deus. Como Jesus menciona no Sermão do Monte: “para que a sua esmola fique em secreto. E o seu Pai, que vê em secreto, lhe dará recompensa” (Mateus 6.4).


Não se pode esquecer, porém, que as próprias profissões dadas por Deus aos Seus filhos são instrumentos da Sua bondade. Quando um professor ministra boas aulas e bem preparadas, demonstra, assim, bondade para com seus alunos. Quando um médico avalia e diagnostica seus pacientes com atenção, zelo e cuidado, demonstra também bondade para com eles. Servir ao Senhor com excelência em nossas profissões também é demonstração de bondade, tendo em vista os grandes benefícios que serviços bem prestados trazem ao próximo e à sociedade em geral. A mesma ideia se aplica em nossos serviços prestados no contexto de igreja. Sem dúvida, um obreiro que se dedica no ministério de multimídia ou que recebe com carinho os irmãos da CIPA demonstra grande bondade para com a comunidade.


Benignidade

A benignidade carrega um significado semelhante. No Antigo Testamento, a palavra “benignidade” traduz o termo hebraico hesed aproximadamente 30 vezes. Porém, esse termo também pode ser traduzido como "misericórdia" e “bondade”, e traz originalmente a ideia de lealdade e fidelidade pactual. No Novo Testamento, a palavra "benignidade" é a tradução do termo grego chrestos, que significa “bondade”, “generosidade”, “benevolência” e “amizade”.


A benignidade é uma característica que deve marcar o povo de Deus. Em Miquéias 6.8, o profeta escreve que uma das coisas que Deus demanda é que o Seu povo ame a benignidade. O profeta Zacarias afirma que devemos executar juízo verdadeiro e mostrar piedade e benignidade para com o próximo (Zacarias 7.9, 10).


O exemplo supremo

Retomando a ideia de que bondade está ligada ao trabalho em benefício dos outros, o maior exemplo humano de bondade e de benignidade se encontra, sem dúvida, na pessoa de Jesus. “Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Marcos 10.45). Mesmo no momento de Sua morte dolorosa e cruel, Jesus continuou demonstrando misericórdia e benignidade para com os Seus assassinos. “Mas Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lucas 23.34). Fazendo assim, serviu de modelo para Estevão, que, anos depois, também viria a interceder pelos seus assassinos no momento de sua morte. “Então, ajoelhando-se, gritou bem alto: Senhor, não os condenes por causa deste pecado!” (Atos 7.60).


Jesus é, de fato, o modelo de bondade e benignidade para nós em todos os aspectos. E não é apenas nosso modelo, mas também Ele é quem nos capacita, por meio da Sua bondosa obra na cruz, a crescermos em bondade e benignidade. Obedecer aos mandamentos de sua Palavra e buscar viver como ele viveu é o segredo para uma vida plena, cheia de misericórdia e útil para abençoar a vida das pessoas ao nosso redor.


Editorial de Fernando Saraiva



Nota: Referências: Bíblia de Estudo NAA / https://estiloadoracao.com/o-que-e-benignidade/