Ladrões de vitalidade: Fofoca/Mentira

"Quem esconde os seus pecados não prospera,

mas quem os confessa e os abandona encontra misericórdia."

(Provérbios 28.13)


Esse versículo de Provérbios nos lembra a importância de estarmos constantemente confessando e abandonando os nossos pecados para obtermos misericórdia de Deus e seguirmos com prosperidade na nossa vida espiritual. Essa questão precisa de maior atenção quando lidamos com "pecados socialmente aceitáveis", que nos dão uma falsa impressão de que não há urgência no seu abandono ou até mesmo de nem serem pecados. Certamente, a fofoca e a mentira se encaixam nessa categoria.


Existem várias formas de categorizarmos os pecados relacionados à comunicação de informações. Para o propósito deste editorial, vou considerar a tabela a seguir, na qual cada coluna indica a natureza do que eu estou dizendo sobre uma pessoa não presente na conversa (verdade, duvidoso ou mentira) enquanto cada linha indica a minha intenção verdadeira ao dizê-lo (informar, fazer justiça ou obter vantagens). Você pode discordar da terminologia utilizada, mas espero que, mesmo discordando dos termos em si, você possa ser edificado com os princípios trabalhados, que é o foco deste editorial.











Todos os tipos mencionados são perigosos, principalmente dentro do contexto da igreja local no qual fofocas e mentiras geram divisão no corpo, o que é contra a vontade de Cristo (João 17.20-23; Efésios 4.3). Porém, entendo que os tópicos apresentados com fundo vermelho normalmente são mais perceptíveis e praticados de forma intencional por pessoas em estágios mais avançados do pecado, sendo assim, o resultado de uma vida espiritual longe de Deus. Por isso, abordaremos detalhadamente apenas os assinalados em verde.


Verdade sem amor

Certamente, é importante alertarmos as pessoas se elas estão envolvidas no assunto. No entanto, existe uma forma bíblica de fazê-lo. Usar a expressão "mas estou dizendo a verdade" não nos permite dizer tudo o que quisermos. Segundo a Bíblia, o princípio é dizer a verdade sempre em amor para conceder graça aos que ouvem (Efésios 4.15, 25, 29) — e não somente dizer a verdade. Portanto, esses parâmetros precisam ser avaliados antes de iniciarmos o assunto para sabermos se é pertinente, e, durante a conversa, para transmitirmos a informação da forma correta.


Mais especificamente no contexto de igreja, temos também a orientação de como tratar o pecado — disciplina bíblica (Mateus 18.15-18) — e como tratar diferenças de opiniões que não envolvem pecado — considerar o outro superior (Romanos 15.2, 3; Filipenses 2.3, 4). Contudo, como tratar os problemas segundo a orientação bíblica é mais trabalhoso, acabamos pecando com nossas línguas. Além disso, se estamos falando fora do contexto eclesiástico, ainda somos chamados a amar as pessoas (Mateus 5.43-48). Destaco neste caso a questão das nossas autoridades, que são muitas vezes alvo desse tipo de situação. Portanto, nesses casos, falar a verdade deve ser balizada por essas orientações para ser feita de forma bíblica.


Desserviço

Neste ponto, além de analisarmos os aspectos mencionados no tópico anterior, também vamos nos preocupar com a qualidade da informação que estamos transmitindo. Mal-entendidos sempre foram muito comuns e certamente são potencializados com o nosso aparato tecnológico moderno. As informações se propagam com muita facilidade, de forma que não nos importamos tanto assim com a qualidade delas. Às vezes, mesmo bem-intencionados na vontade de informar com agilidade aos outros, somos divulgadores de informações falsas porque não tivemos o cuidado de averiguar a verdade. Com isso, ao invés de ajudar, podemos criar problemas que nem existem, simplesmente por estarmos passando informações duvidosas, promovendo, novamente, desunião no corpo de Cristo. Por isso, o livro de Provérbios constantemente nos orienta a tomarmos bastante cuidado antes de falarmos (Provérbios 10.18; 18.7; 21.23; 29.20). Vale ressaltar que também devemos avaliar se a informação que estamos passando como certa é realmente um fato ou apenas uma interpretação subjetiva de algo que percebemos, que depois poderá ser questionada pelo ponto de vista de outro (Provérbios 18.17). Novamente, pensando em um contexto mais abrangente, devemos avaliar as diversas notícias e informações de utilidade pública que temos compartilhado, visto que as fake news também precisam ser combatidas para não estarmos contribuindo com um desserviço não-amoroso.


Fofoca justiceira e falso testemunho

Se formos analisar, veremos que muitas vezes nossas falas maldosas (sejam elas certamente verdadeiras ou duvidosas/subjetivas) têm o intuito de fazer uma justiça que não foi feita ou não atendeu ao nosso padrão. Queremos ter a oportunidade de sermos juízes para julgar o que a pessoa fez e condená-la, mesmo sabendo que essa posição é de Deus (Tiago 4.11, 12). E para isso, a pessoa nem precisa ter pecado, não é mesmo? Basta apenas ter feito algo que eu não queria. Creio que este seja o ponto que mais causa problemas "não intencionais" na igreja, visto que estamos constantemente murmurando, sem perceber que estamos fazendo algo errado. Essa situação se agrava quando temos certeza de que a atitude da pessoa foi pecado. A orientação bíblica, novamente, é a de confrontação amorosa (Mateus 18.15-18; Gálatas 6.1). Como não queremos nos expor, seguimos o caminho da fofoca. Passando para um contexto global, pensamos que nossos comentários e posts são nossas ferramentas de justiça neste mundo, pois afinal "eu tenho liberdade de expressão". Se formos analisar, quando seguimos por esse caminho, estamos implicitamente duvidando da justiça de Deus e não recorrendo a Ele. Novamente, o Senhor é o único legislador e juiz — e não nós.


Tiago nos diz que os pecados de língua são os mais complexos para o homem dominar (Tiago 3.1–12). E o que ele nos mostra é justamente que a língua é um transbordar do coração, em consonância com o que disse Jesus (Mateus 12.34). Portanto, para analisar nossas dificuldades de usar nossa língua para abençoar, devemos esquadrinhar o nosso coração e nos arrepender do que estamos pensando incorretamente. Que Deus nos conceda graça para enxergar e abandonar a fofoca e a mentira, que tanto prejudicam nossa vitalidade espiritual.


Editorial de Tássio Cortês Cavalcante


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