Mais que um sacrifício nobre: A substituição de Cristo

O fato de que o amor nos leva a fazer sacrifícios é algo que poucos podem questionar, mesmo na sociedade atual. Basta olharmos para uma pequena amostra da nossa produção cultural: seja num romance ou em outros tipos de relacionamentos, escritores levam seus personagens à demonstração de seu afeto por meio de um sacrifício que pode ser figurado (que o leva a fazer algo que lhe custa caro), ou até mesmo literal. Não nos espantamos ao ler esse tipo de história porque é algo que soa natural para nós. Sacrifícios por amor a alguém, como uma mãe que se sacrifica por um filho, ou um marido dando a vida pela sua esposa, ou mesmo um soldado dando a vida pelo seu país são atos louváveis que inspiram admiração entre nós. De maneira especial, ao olharmos para o Evangelho, vemos que ele também se baseia num sacrifício: Jesus Cristo, o Filho de Deus dá a sua vida para resgatar pecadores rebeldes. Em certo aspecto, esse sacrifício segue a mesma lógica substitutiva (a morte de uma pessoa no lugar de outra), mas com uma profundidade muito maior.


Cristo morreu a morte que merecíamos...

O apóstolo Paulo inicia sua exposição do Evangelho na carta aos Romanos apresentando um problema: existe um Deus santo, o Poderoso criador, que manifesta seus atributos por meio da criação. Ainda assim, o homem, em seu orgulho, se rebela contra Deus e passa a seguir o seu próprio caminho, sem considerar aquilo que Deus requer do homem, sem considerar a existência de um soberano criador. Em Romanos 3.10, citando o Salmo 14, Paulo chega à conclusão inevitável desse raciocínio inicial: “Não há nenhum justo, nem um sequer”. Esse é o problema que ecoa pela existência da humanidade, um problema urgente que clama por uma solução que seja por nós, mas que venha de alguém além de nós, considerando a nossa incapacidade comprovada de cumprir os propósitos de Deus por nossas próprias forças. As boas novas começam com a terrível notícia de que o Deus soberano está irado conosco.


O caráter justo de Deus e a sua santidade demandam a justa punição, e a morte eterna deveria ser o destino de todos nós (Ezequiel 18.4). É aqui que o sacrifício de Cristo tem o seu primeiro aspecto de substituição: Jesus Cristo, o único exemplar da raça humana sem pecado, o próprio Deus encarnado, toma a iniciativa de se interpor entre nós e o Pai, recebendo em seu próprio corpo a ira de Deus em nosso lugar, como punição pelos nossos pecados. O texto de 2 Coríntios 5.21 trata isso de maneira profunda ao afirmar que “Deus tornou pecado por nós aquele que não tinha pecado”. Mesmo sendo o próprio Deus e vivendo uma vida perfeita como homem, Cristo recebeu o que era devido aos inimigos de Deus. Ele morreu a morte que eu e você merecíamos. O abandono que ele sentiu na cruz deveria ter caído sobre nós por toda a eternidade.


... nos dando a justiça que era dele...

Mas o texto de 2 Coríntios não acaba por aí, ele termina com o objetivo final desse sacrifício: “para que nele nos tornássemos justiça de Deus”. Esse é o outro lado da moeda da substituição e onde se baseia a nossa justificação. Além de receber a punição pelos nossos pecados, a vida perfeita de Cristo (a sua justiça) nos é imputada, como se trocássemos vestes imundas por uma veste impecável. Esse fato faz com que, a partir daí, Deus se torne propício a nós: ao nos apresentarmos diante dEle, a sua visão não é mais de um pecador indigno se aproximando, mas de um filho justo diante dEle. Essa é a solução cabal para o problema do pecado do homem; essa é a restauração perfeita do relacionamento entre Deus e o homem. Somente pelos méritos de Jesus podemos nos achegar ao trono divino como filhos amados.


... para desfrutarmos de uma nova vida hoje.

A maneira que a Escritura trata o tema da justificação nunca é puramente teórica. O sacrifício substitutivo de Cristo traz consequências tanto para a eternidade (1 Tessalonicenses 4.17 – “estaremos com o Senhor para sempre”), quanto para as nossas vidas diárias. Ainda em 2 Coríntios 5, Paulo afirma que Cristo “morreu por todos para que aqueles que vivem já não vivam para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (versículo 15); o sacrifício de Cristo deve nos trazer mudança de vida efetiva (que inclui hábitos, desejos e pensamentos), e o poder para tal mudança vem do próprio Deus. Cristo entregou a sua vida por nós para vivermos nossas vidas para Ele. Os benefícios do seu sacrifício são acompanhados por uma vida piedosa.


Em tempo de Páscoa, é importante relembrarmos que Cristo é o nosso substituto perfeito. É importante perceber que, sim, esse foi um sacrifício de amor, mas com consequências muito mais profundas do que qualquer outro sacrifício oferecido nessa terra. Assim, diante de tão grande sacrifício, podemos nos aproximar com confiança do trono de Deus, com a certeza de que nossos pecados foram pagos e de que nosso relacionamento foi completamente restaurado.


Editorial de Petrônio Nogueira



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