Não falem mal uns dos outros

Sobre a série: Uns aos outros.

Durante o ano de 2020, temos refletido de forma intencional sobre "ser e fazer discípulos". Visitamos passagens bíblicas que instruem sobre a vida do discípulo e a prática de fazer discípulos. Reconhecemos que precisamos entender o que é um discípulo e como discipular pessoas e acabamos por redescobrir a simplicidade de nossa fé e passos práticos para o discipulado ao alcance de todos. Dentro dos assuntos tratados, é importante identificarmos as características da comunidade dos discípulos de Jesus Cristo. Ao longo da história da Igreja Batista Maranata, chamamos essas características de "mutualidades". Durante esta série traremos reflexões sobre os mandamentos bíblicos de reciprocidade, marcados pelos mandamentos conhecidos como "uns aos outros". A vida do discípulo acontece numa comunidade marcada por práticas que testemunham do caráter de Deus e Sua obra de salvação que nos transforma para o testemunho do Evangelho.


Não falem mal uns dos outros


Somos seres relacionais. Não há dúvida de que Deus nos criou com o propósito de nos relacionarmos. Desde a criação Ele nos dá indícios de que Sua vontade é que estejamos inseridos em relacionamentos (Gênesis 2.18). A Trindade nos mostra como o nosso Deus é um Deus relacional. Desde a eternidade passada, o Pai, o Filho e o Espírito Santo existem em amorosa e intima comunhão.


Uma das ferramentas mais utilizadas em um relacionamento é a fala. E como gostamos de falar, não é mesmo? Inclusive, algumas vezes falamos mais do que deveríamos e acabamos nos arrependendo de algumas palavras que proferimos. Por este motivo, Deus nos deixou inúmeros alertas acerca da fala e de como devemos utilizar a língua, que mesmo sendo um órgão tão pequeno, possui um poder altíssimo de destruição (Provérbios 18.21; Tiago 3.1–14). Pensando nisso, quais cuidados devemos tomar para que a língua não seja uma pedra de tropeço?


Considerando os pontos a seguir, espero que possamos crescer na sabedoria da comunicação e entender qual é a gravidade de utilizamos nossa língua de maneira pecaminosa.


A língua...


...é um instrumento perigoso

Cuidado! Muitas vezes rotulamos alguns pecados como “inofensivos” ou “pecados de estimação”, que são aqueles que aparentemente não causam nenhum dano irreparável ou que consideramos grave. Por isso, não os combatemos como deveríamos. A língua é a ferramenta utilizada para o desempenho de um desses pecados: a maledicência. Em Tiago 3.2, vemos que se alguém for capaz de controlar sua própria língua será considerado perfeito, pois conseguirá dominar todo o corpo.


“Tomem também como exemplo os navios; embora sejam tão grandes e impelidos por fortes ventos, são dirigidos por um leme muito pequeno,

conforme a vontade do piloto. Semelhantemente, a língua é um pequeno órgão do corpo, mas se vangloria de grandes coisas. Vejam como um grande bosque é incendiado por uma simples fagulha. Assim também, a língua é um fogo; é um mundo de iniquidade.

Colocada entre os membros do nosso corpo, contamina a pessoa por inteiro, incendeia todo o curso de sua vida, sendo ela mesma incendiada pelo inferno.”

(Tiago 3.4–6)


Uma pessoa que não controla sua própria língua vive de maneira descontrolada, e seu fim pode ser o inferno.


...é um excelente termômetro

“Pois a boca fala do que está cheio o coração” (Mateus 12.34b). A língua é um excelente termômetro de nosso relacionamento com Deus. Seremos capazes de controlar nossa língua somente se estivermos cheios do Espírito Santo. Eu gosto de pensar da seguinte maneira: assim como os computadores, possuímos 3 tipos de periféricos — os de entrada (olhos e ouvidos), processamento (mente e coração) e saída (boca e membros). Ou seja, se nossos periféricos de entrada estão sendo expostos ao Evangelho, os de processamento só irão processar o que é do Reino e, consequentemente, através dos periféricos de saída teremos apenas demonstrações de amor e graça.


A maneira como você conduz sua vida espiritual será vista nas palavras que você profere e em suas atitudes.


...pode promover vida e morte

Já parou para pensar no tamanho da nossa responsabilidade com o uso de nossas línguas? A mesma boca que pode promover vida, também pode gerar a morte (Provérbios 18.21). Você já falou mal de alguém? Como se sentiu? Creio que suas respostas sejam iguais as minhas: sim e bem, respectivamente. Infelizmente o mau uso da língua é algo comum. Nos sentimos bem ao falar mal de uma pessoa, pois isso nos coloca em um suposto patamar superior. Para que possamos falar mal de alguém, precisamos necessariamente nos considerar superiores a pessoa que está sendo alvo de nossos comentários e isso nos dá uma sensação de prazer. Contudo, o oposto também é verdade: Nos sentimos muito mal quando escutamos alguém proferir palavras amargas e más a nosso respeito. Isso nos constrange e humilha. Ou seja, mesmo que falar mal de alguém possa inicialmente parecer algo prazeroso, é simples percebermos que tal tipo de atitude possui uma capacidade imensurável de destruir relacionamentos.


Entretanto, não é para isso que Deus nos deu essa ferramenta. A mesma língua que normalmente é utilizada para a destruição, foi, na verdade, criada para a proclamação do Evangelho e edificação da igreja. Você já reparou como uma palavra de encorajamento pode mudar o dia de uma pessoa? Faça esse teste e irá se surpreender com o poder que isso tem. Vidas são transformadas, relacionamentos são forjados, amizades são iniciadas, enfim, um mundo de possibilidades.


Deus quer que você use sua língua para a proclamação de Sua glória e promova a vida!


... pode te matar

Em Tiago 4.11, vemos que aquele que fala mal de seu irmão ou o julga deixa de ser observador da lei e passa a ser juiz. Sabemos que o único Juiz justo é o Senhor, e que não temos a autoridade para julgar ninguém. Quando assumimos o papel de juiz e proferimos palavras de condenação para nosso irmão, estamos gerando condenação para nós mesmos.

Em Provérbios 6.16–19 vemos uma lista de seis coisas que Deus odeia e uma que ele abomina. Curiosamente, a língua está relacionada a 4 dos 7 pecados: olhar altivo (olhar altivo é o pontapé inicial para o mau uso da língua), língua mentirosa, testemunha falsa que profere mentiras e aquele que semeia contendas entre os irmãos (fofoqueiro).


Talvez sua dificuldade não seja no falar em excesso, mas sim no falar de menos. O mau uso da língua passa tanto pelo falar mal quanto pelo deixar de falar. Advertir e exortar são necessários para a vida cristã em comunidade. Talvez sua dificuldade não seja em nenhum dos dois aspectos e sim no escutar.


Todos podemos — e devemos — crescer na forma de como usamos nossa língua, de maneira que nossa boca seja sempre um instrumento do Senhor para ministrar graça às pessoas ao nosso redor (Efésios 4.29).


Editorial de Rafael Ceron de Souza


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