O que eu estou perdendo?

Atualizado: 22 de Ago de 2018

Como cristãos, descobrimos a vontade de Deus por meio da Bíblia. Dentre várias outras orientações, nela descobrimos a importância de desenvolvermos as chamadas “disciplinas espirituais”, que são práticas da vida cristã às quais Deus promete abençoar com sua graça em nossas vidas. A Palavra nos apresenta algumas dessas práticas, como ler a bíblia e orar (1 Timóteo 4.7; 2 Timóteo 3.15,16; Atos 2.42; Colossenses 4.2; 1 Tessalonicenses 5.17) e no convívio cristão somos constantemente lembrados delas. A grande questão é que muitas vezes nos acomodamos a praticá-las de forma superficial e deixamos de desfrutar da plenitude do que elas podem nos oferecer.


Afinal, o que estamos perdendo...


1) ...não praticando as disciplinas com a motivação correta?

Creio que um grande problema das disciplinas espirituais é quando elas passam a ser só mais uma obrigação que temos que cumprir na nossa rotina. Nossa preocupação passa a ser ocupar mais nosso tempo com essas práticas e não procurar que elas nos impactem mais. Acabamos como os crentes de Gálatas vivendo por nossas obras e acabamos nos colocando um jugo de escravidão. Assim, ao invés de experimentarmos a graça de Deus, experimentamos o cansaço de práticas que não nos santificam.


Dessa forma, a motivação que deve nos guiar em uma disciplina é que ela seja um meio eficaz da graça de Cristo. Por exemplo, Deus nos orienta a lermos a Palavra para sermos ensinados, confrontados, corrigidos e instruídos na justiça (2 Timóteo 3.16), então leiamos a Bíblia com essa visão e com a fé de que Deus nos abençoará nesse propósito e desfrutaremos a bênção dessa graça. Não leiamos simplesmente para cumprir um plano de leitura ou para pesquisa de curiosidades.


2) ...não praticando todas as disciplinas?

Um segundo problema é que costumamos ter disciplinas preferidas de forma que podemos negligenciar outras. Por mais que Deus prometa nos abençoar, por exemplo, com a leitura da Palavra, isso não pode excluir a oração. A Bíblia nos revela os benefícios distintos dessas práticas, nos encorajando a praticar ambas e nos mostra como elas se relacionam. Portanto, negligenciar uma delas nos leva a não desfrutarmos plenamente da outra. Não podemos orar devidamente sem conhecer a Palavra, e a oração nos leva a voltar à Palavra para termos a resposta de Deus.


Vale ressaltar também que, além dessas duas disciplinas mais comuns, existem outras disciplinas que a Bíblia apresenta as quais são mais comuns de serem negligenciadas. Uma disciplina espiritual é uma prática tipificada nas Escrituras como um meio de graça, por meio da qual o espírito age para santificação de quem a pratica. Dessa forma, vemos que a Palavra de Deus nos mostra alguns exemplos, como a meditação (Salmo 49.4; 119.99), a memorização (Salmo 119.11,100), a solitude (Lucas 4.1-13; 6.12), etc. Vemos, então, que elas são, na verdade, práticas que partem ou se baseiam nas duas primeiras citadas (leitura e oração). É importante, porém, que não procuremos tratar as disciplinas como uma lista de afazeres diferentes que precisamos cumprir para sermos espirituais, se não podemos cair no erro do item 1.


3) ...não praticando essas disciplinas em todos as esferas?

Deus, no seu plano de salvação, decidiu incluir os crentes em uma comunidade: a Igreja. Vemos em Efésios, por exemplo, orientações claras para estarmos envolvidos no corpo de Cristo. Por outro lado, Deus também nos chamou para um relacionamento pessoal e íntimo com Ele, nos dando orientações para O procurarmos como indivíduos (por exemplo nos Salmos). Dessa forma, devemos estar motivados a praticar disciplinas tanto individual quanto coletivamente.


Muitas vezes podemos praticar diversas disciplinas espirituais estando com a motivação correta, porém, só praticamos quando estamos sozinhos. Certamente, Deus fala conosco quando lemos a Bíblia sozinhos, mas o que perderíamos se não ouvíssemos a Sua Palavra no culto público ou em pequenos grupos? Em cada um desses três níveis Deus fala de forma diferente conosco. O mesmo vemos em relação à oração. Podemos ter o costume de orar quando estamos em grupos, mas não quando estamos sozinhos, por exemplo. O que perdemos nesse processo? Deixamos de desfrutar a plenitude dos relacionamentos com Deus e com nossos irmãos.


Portanto, que neste ano possamos nos dedicar a praticar disciplinas espirituais, buscando a plenitude do nosso relacionamento com Deus enquanto Ele nos concede graça para sermos santificados.


Editorial de Tássio Côrtes Cavalcante



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