Provações e maturidade: perseverança

Por diversas vezes, as Escrituras nos desafiam a sermos perseverantes. Jesus chega a dizer que é na nossa perseverança que ganharemos a nossa alma (Lucas 21.19). Essa perseverança é a característica de uma pessoa que não se desvia de seu propósito, de sua fé, sendo firme e constante em qualquer situação. Ou seja, o oposto dela é a inconstância, a dúvida, o desânimo, a agitação, características estas de um crente imaturo, que se deixa levar facilmente por aquilo que acontece a sua volta e não pelas verdades eternas da Palavra de Deus (Efésios 4.14).


Dito isso, é fundamental que estejamos em uma busca constante por essa perseverança, alcançando a maturidade espiritual e uma vida plena em Cristo. Em sua epístola para Tiago, o apóstolo Paulo deixa claro o processo para que isso ocorra:


“Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes.”

Tiago 1.2-4


Neste texto, é possível ver que é por meio das provações que a perseverança é alcançada. Não é simplesmente em meio às provações, mas são elas mesmas que nos permitem desenvolver a constância que Deus deseja que tenhamos e que nos traz toda alegria.


As provações trazem alegria

Essa, sem dúvida, é uma das coisas mais difíceis de entendermos e, ainda mais, colocarmos em prática. Para tanto, o escritor de Hebreus nos chama a olharmos “para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz” (Hebreus 12.2). Não é natural olharmos para a alegria que nos está proposta ao passarmos por provações, até porque nem mesmo achamos que há alguma alegria relacionada ao sofrimento. Esquecemo-nos de pensar que as provações são expedientes divinos para nos fazer mais parecidos com Cristo e que sermos assim é a única forma de termos alegria completa (João 15.11). A alegria vem do fato de que os sofrimentos e desgostos que as provações podem causar, geram em nós perseverança.


As provações produzem perseverança

Outra dificuldade de entendimento que comumente temos é de reconhecer que as inconstâncias da vida produzem constância de caráter. Ou seja, o exercício da nossa fé faz com que esta cresça e nos torna mais aptos a enfrentarmos desafios maiores. É como ocorre na musculação, em que se deseja levar os músculos ao limite, muitas vezes os ferindo, para que, ao se recomporem, tornem-se mais fortes e, portanto, mais suscetíveis a condições de esforço extremo. Deus age como um treinador que sabe exatamente quais de nossos músculos espirituais têm de ser levados ao limite para que sejam fortalecidos. Dessa forma, somos amadurecidos, tornando-nos “perfeitos e íntegros”.


As provações tocarão em todas as áreas de nossas vidas

Conforme Tiago 1.4, “a perseverança deve ter ação completa”, isto é, ela tem que permear todas as áreas de nossas vidas. Deus vai trabalhando de forma precisa para que não fiquemos “em nada deficientes”. Nossa maturidade espiritual tem de envolver cada aspecto de nossa existência, chegando “à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Efésios 4.13). Por isso, somos provados das mais variadas maneiras, sabendo, entretanto, que somente passaremos por aquelas que são, de fato, necessárias: “Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações” (1 Pedro 1.6 – ênfase pessoal).


Por fim, é interessante notar que a perseverança só é produzida ao termos nossa fé “confirmada”, ou seja, não é o simples fato de passarmos por provações que nos amadurece, antes, temos que as enfrentar com fé e piedade. Isso também é um dom de Deus, o qual nos fornece tudo o que é necessário para segui-Lo, por meio do “conhecimento completo daquele que nos chamou” (2 Pedro 1.3). Esse conhecimento, ajuda-nos a entendermos as difíceis verdades a respeito das provações, tornando-nos mais sábios. Entretanto, essa sabedoria, muitas vezes, ainda nos falta e isso pode ser solucionado se a pedirmos com fé a nosso Senhor, como veremos com mais detalhes no editorial da semana que vem. Não perca!


Editorial de André Negrão



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