Provações e maturidade: sabedoria

Na semana passada, pudemos refletir juntos sobre o processo de amadurecimento espiritual que ocorre por meio das provações. Esse processo nos traz alegria, pois nos torna mais perseverantes, o que, no fim, resulta em grande esperança (Romanos 5.3). Além disso, vimos que as provações atingem todas as áreas de nossa vida, de forma a nos tornarmos perfeitos, a exemplo de Jesus Cristo (Efésios 4.13).


Contudo, mesmo sabendo de todas essas coisas, muitas vezes é bastante difícil entendê-las por completo, principalmente em meio a circunstâncias tão complicadas que as provações podem nos trazer. Para solucionar essa dificuldade, o texto da epístola de Tiago continua mostrando que Deus está preocupado não somente em nos dar as informações, mas também as formas de como as utilizarmos em nosso dia a dia:


“Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus,

que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida.

Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento. Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa; homem de ânimo dobre,

inconstante em todos os seus caminhos.”

Tiago 1.5-8


A maturidade é uma questão de sabedoria

Paulo, nesse texto, que se relaciona diretamente ao da semana passada (Tiago 1.2-4), antecipa que os crentes poderiam alegar não conseguirem ver qualquer propósito ou vantagem nas provações. Quando esse for o caso, ele dá a solução: pedir ao Senhor sabedoria, que a dará liberalmente. Ou seja, para se chegar à maturidade espiritual, é necessário ter a sabedoria dada por Deus, que permitirá ao crente passar pelas provações da maneira correta.


A maturidade é uma questão de fé

Na semana passada, também refletimos no fato de que não basta passarmos pelas provações, temos de ter nossa fé confirmada nelas. Novamente, em Tiago 1.6, Paulo menciona a fé, já que, sem ela, é impossível termos a sabedoria de Deus, pois Ele não a dá a quem duvida. Logo, a confirmação de nossa fé em meio às provações está justamente em não duvidarmos dos propósitos de Deus nas circunstâncias que atravessamos nem de que Ele proverá todas as coisas que necessitamos para enfrentá-las, dentre elas a sabedoria.


A maturidade é uma questão de constância

Também não alcançará a sabedoria aquele que é “inconstante em todos os seus caminhos”, isto é, os crentes sem perseverança, que são “agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro” (Efésios 4.14). Essa inconstância vem justamente da nossa incredulidade, pois, sem fé, passamos pelas provações sem que qualquer perseverança seja gerada. Ou seja, sem fé, não temos sabedoria, não amadurecemos, não desenvolvemos um coração perseverante e constante nas verdades da Palavra de Deus.


Ao final destes dois editorias em Tiago 1, chegamos à mesma conclusão do autor de Hebreus, que, no capítulo 11, mostra uma série de personagens bíblicos atravessando as mais diversas provações pela fé. Noé construiu uma arca em meio ao deboche de seus conterrâneos (v. 7). Abraão cruzou o deserto “sem saber aonde ia” (v. 8), “habitando em tendas” (v. 9). Sua fé foi provada ao ser chamado a “sacrificar o seu unigênito” (v. 17). Esses são alguns exemplos de uma extensa lista, que poderia ser ainda muito maior, como o próprio autor escreve (v. 32). Em síntese, são citados diversos tipos de provação que os cristãos têm passado ao longo dos séculos:


“Alguns foram torturados, não aceitando seu resgate, para obterem superior ressurreição; outros, por sua vez, passaram pela prova de escárnios e açoites, sim, até de algemas e prisões. Foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos a fio de espada; andaram peregrinos, vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos, maltratados (homens dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, pelos montes, pelas covas, pelos antros da terra.”

Hebreus 11.35-38


A essa lista somam-se todas as provações que eu e você temos passado em nossa vida cristã, as quais existem para que obtenhamos “bom testemunho” por nossa fé (v. 39). Vale lembrar que a fé das pessoas citadas em Hebreus 11 era na promessa de que o Messias viria e nisto elas perseveraram (v. 39). Entretanto, em nossos dias, a nossa fé é diferente! Ela está alicerçada no filho de Deus, Jesus Cristo, que veio ao mundo, viveu de maneira santa, morreu por nossos pecados e ressuscitou! Não cremos apenas em algo que ainda vai acontecer, mas em algo que já aconteceu e tem efeito em nossa vida hoje! E um dos efeitos é justamente termos condições de passarmos pelas provações de maneira proveitosa, com toda a sabedoria, amadurecendo e nos tornando cada vez mais parecidos com Ele. Com fé, somos alicerçados e firmes (Colossenses 1.23), inabaláveis (Efésios 6.13). Sem fé, somos apenas como uma “onda do mar, impelida e agitada pelo vento” (Tiago 1.6).


Editorial de André Negrão



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