Todos fomos chamados

Ao longo dos últimos editoriais, temos estudado acerca da importância do discipulado, e que ele é, de fato, uma das ferramentas escolhida por Deus para a propagação de sua Palavra. Uma das marcas do discipulado é o crescimento numérico — em outras palavras, a multiplicação do povo de Deus.


Ao estudarmos a Bíblia, conseguimos perceber uma atenção especial para com a multiplicação. Logo no primeiro capítulo da Bíblia, Deus ordena aos animais que se multipliquem (Gênesis 1.22). Mais adiante, vemos a mesma ordem para Adão e Eva (Gênesis 1.28). Também é possível ver este propósito após o dilúvio (Gênesis 9.1). Deus parece definir a abundância como algo bom, como uma benção. Esse conceito também é visto na vida de Abraão, quando Deus promete fazer dele uma grande nação, quando o povo de Israel é libertado do Egito, e quando retornam do exílio babilônico.


Quando chegamos ao Novo Testamento, o conceito de multiplicação se expande, deixando claro que Deus não se importa somente com o crescimento numérico de seu povo, mas também com o crescimento espiritual e aprofundado de cada discípulo. Em Atos, principalmente, encontramos inúmeros relatos da expansão de Seu reino. No Novo Testamento, então, a ideia de discipulado e multiplicação começa a ganhar uma forma mais definida:


“Ora, naqueles dias, multiplicando-se o número de discípulos…

Crescia a palavra de Deus, e, em Jerusalém, se multiplicava o número dos discípulos; também muitíssimos sacerdotes obedeciam a fé.”

(Atos 6.1,7)


Contudo, o que será que toda essa atenção especial com a multiplicação tem a ver conosco nos dias de hoje?


É uma ordem explícita

Multiplique. Ainda que algumas das referências acima falem principalmente de procriação, o objetivo do Senhor em ter um povo numeroso não se limitava a números, e sim a expansão da Sua glória, que seria vista através do Seu povo. Fomos chamados à multiplicação para que a glória de Deus fosse vista em todos os lugares. Todo o cristão foi chamado a proclamar o Reino de Deus:


“Foi-me dada toda a autoridade nos céus e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos.”

(Mateus 28.18–20)


Embora a ordem de fazer discípulos seja clara e objetiva, é muito comum vermos cristãos designando esta tarefa a pastores e missionários, como se a responsabilidade de discipulado fosse exclusivamente deles. Certamente, é uma de suas muitas responsabilidades. No entanto, Deus jamais restringiu esta tarefa a pastores e missionários. A Palavra de Deus é clara ao mostrar que o chamado é para todos nós: vão e façam discípulos.


É mais que um simples programa...

Naturalmente, somos condicionados a pensar em evangelismo e discipulado como algo programático, ou seja, algo que devemos separar um tempo específico para fazer. Com certeza o discipulado é algo intencional, mas isso não significa que precisamos de uma programação para o fazer. Ser intencional significa criar oportunidades para falar do amor de Deus, criar situações onde possamos compartilhar o Evangelho com o objetivo da edificação do corpo. Fazer discípulos é uma missão vitalícia e atemporal; portanto, devemos fazer discípulos o tempo todo e enquanto estivermos aqui.


Além disso, estamos sendo observados o tempo inteiro, quer por pessoas que foram alcançadas por Cristo, ou por aquelas que ainda não foram. Isso significa que o simples fato de vivermos uma vida centrada no Evangelho criará oportunidades para o discipulado. Não estou excluindo a importância de separarmos um tempo ou um dia da semana para investirmos em discipulado. Entretanto, se limitamos o discipulado apenas a momentos como estes, estamos equivocados no que significa fazer discípulos.


... é crescer...

O crescimento espiritual é um sólido conceito bíblico. E o primeiro passo para iniciarmos uma vida de discipulado é ansiarmos por um crescimento espiritual contínuo. Pedro fala sobre isso na sua primeira carta:


“Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo; Se é que já provastes que o Senhor é benigno; E, chegando-vos para ele, pedra viva, reprovada, na verdade, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais

agradáveis a Deus por Jesus Cristo.”

(1 Pedro 2.2-5)


A verdade é que não iremos conseguir viver uma vida de discipulado se não formos verdadeiros discípulos de Cristo. Mas, de que maneira o crescimento espiritual, nos ajudará a encontrarmos discípulos? Veja o que o seguinte texto nos diz:


“Por isso mesmo, vós, reunindo toda a vossa diligência, associai com a vossa fé a virtude; com a virtude, o conhecimento; com o conhecimento, o domínio próprio; com o domínio próprio, a perseverança, a piedade; com a piedade, a fraternidade; com a fraternidade, o amor. Porque estas coisas, existindo em vós e em vós aumentando, fazem com que não sejais nem inativos, nem infrutuosos no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo.”

(2 Pedro 1.5-8)


... é depender de Deus


“Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento. Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento.”

(1 Coríntios 3.6, 7)


Por último, é importante entender que o resultado do discipulado não depende de nós mesmos. Deus é quem dá o crescimento, de maneira que somos apenas ferramentas — somos vasos nas mãos do oleiro (Jeremias 18.6). Parte da vida cristã é entender que Deus opera tanto na vida de quem leva a Palavra quanto na vida de quem a recebe.


Deus está diretamente interessado e engajado no crescimento de sua igreja. Ele sempre trabalhou, e continua trabalhando, na edificação do seu Reino. Vimos que o nosso Deus é um Deus de crescimento e sempre esteve em Seus planos o crescimento de seu povo — não só o crescimento numérico, mas, principalmente, espiritual. Portanto, a responsabilidade de todos nós é ir e fazer discípulos, para que a glória de Deus seja vista em nós e através de nós.


Editorial de Rafael Ceron de Souza



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