A essencialidade do arrependimento

Arrependimento. Esse é um dos conceitos mais “fora de moda” na nossa sociedade. O mundo nos diz que o que realmente importa é viver uma vida sem arrependimentos, fazendo tudo o que desejamos e aproveitando tudo o que nos é oferecido. Para o mundo, arrepender-se é uma perda de tempo. Além disso, as pessoas não costumam enxergar o arrependimento como algo positivo, por “teoricamente” transmitir uma imagem de fraqueza. Em outras palavras, pessoas que estão constantemente pedindo perdão e se arrependendo são pessoas fracas e sem confiança — uma imagem contrária a que o mundo quer transmitir. Infelizmente, esse pensamento também é visto dentro das igrejas.


No entanto, quando olhamos para as Escrituras, o arrependimento é exposto como sendo algo essencial na vida do cristão. Mais do que isso, a Bíblia fala do arrependimento como uma atitude grandiosa, fruto de uma obra grandiosa, que é realizada por um Deus ainda mais grandioso. Não há vida cristã sem arrependimento. Não há alegria e paz sem arrependimento. Não há satisfação sem arrependimento. Não há relacionamento sem arrependimento. Consequentemente, não há como negar que o arrependimento é essencial para a nossa vida.


Por isso, nesse e nos próximos três editoriais nós olharemos com cuidado para a Bíblia, buscando diversos aspectos, características e consequências relacionadas ao arrependimento ou a falta dele.


O arrependimento é um tema central à pregação do Evangelho

É impressionante como os conceitos de fé e arrependimento aparecem frequentemente juntos nas Escrituras (Marcos 1.14, 15; Atos 2.37, 38; 3.19; 11.18; 20.21; 26.20). Não há como desassociar fé e arrependimento. São os dois lados da mesma moeda. Por serem conceitos que caminham sempre juntos, ambos faziam parte da proclamação do Evangelho pelos apóstolos — e devem fazer parte da nossa pregação do Evangelho também.


Apesar de ser comum nos nossos dias ouvirmos diversos tipos de “evangelho”, onde o arrependimento é algo opcional, onde a mudança não é necessária, e onde tudo o que precisa ser feito é “amar” e aceitar as pessoas como elas são, a Bíblia apresenta algo diferente. A mensagem do Evangelho nos chama a responder com e arrependimento. Exclua um dos dois, e não terá o Evangelho que Jesus Cristo e seus apóstolos proclamaram.


Arrependimento é a marca de uma vida transformada por Cristo

Porque o Evangelho nos chama a responder com fé e arrependimento, é natural esperar que a vida de alguém que crê seja marcada por arrependimento e mudança. As principais palavras usadas na Bíblia, tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento, demonstram esse conceito.


A palavra mais utilizada no Antigo Testamento para arrependimento é shuv, que literalmente significa “fazer um retorno”. Um dos textos que deixa essa ideia mais clara é 2 Crônicas 7.14: “se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra.” Arrepender-se é deixar o caminho errado e fazer um retorno para o caminho certo — em outras palavras, é uma mudança de direção.


No Novo Testamento, a palavra utilizada é metanoia. Em Mateus 3.8, Jesus faz uma ligação entre arrependimento e frutificação: “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento”. Esse conceito também é visto na passagem de Efésios 4.17–32. O “novo homem, criado segundo Deus” (Efésios 4.24) é alguém que teve sua mente renovada pela Palavra (Efésios 4.23) e que, por isso, irá viver em santidade, deixando para trás as más práticas e se revestindo da justiça de Cristo (Efésios 4.25–32).


Alguém que crê em Cristo é alguém que se arrependeu — e que está continuamente se arrependendo — dos seus pecados.


É possível estar enganado quanto ao verdadeiro arrependimento

Finalmente, é importante ressaltar que é possível nos enganarmos quanto ao que é um arrependimento genuíno. Enquanto o arrependimento verdadeiro produz vida, o falso arrependimento — ou remorso — traz a morte (2 Coríntios 7.10). Enquanto o arrependimento verdadeiro produz frutos duradouros, como vemos em Efésios 4, o falso arrependimento é simplesmente uma tentativa de sair de uma situação ruim, de não ter que sofrer as consequências do pecado.

Essa diferença pode ser vista ao compararmos as declarações de arrependimento de Saul e de Davi:

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Saul – “Então, disse Saul: Pequei; honra-me, porém, agora, diante dos anciãos do meu povo e diante de Israel; e volta comigo, para que adore o SENHOR, teu Deus.”

(1 Samuel 15.30)


Davi – “Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mau perante os teus olhos,

de maneira que serás tido por justo no teu falar e puro no teu julgar.”

(Salmo 51.4)


Enquanto Saul só estava falando algo para ter o respeito dos anciãos de volta, Davi não se importava com o que os outros iriam pensar — ele reconheceu sua falha, estava disposto a sofrer a disciplina do Senhor, e buscou viver em obediência (Salmo 51).


Nos próximos editoriais, iremos explorar as características tanto do falso quanto do verdadeiro arrependimento. Compreender as diferenças entre eles — e saber discernir entre cada um — é o que fará a diferença entre a vida e a morte.


Editorial de Gustavo Henrique Santos



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